A GAROTA DA CADEIRA DE RODAS
AUTOR: ANTONY DELAROCHELLE
GÊNERO: HÉTERO
ANO: 2025
Esse conto é um retrato da década de 70, 80, e aconteceu na Baixada Santista, na antiga e boemia cidade de Santos.
Naquela época, existiam várias casas chamadas “Casa de Tolerâncias”, onde o meretricio ocorria como a mais desinibida naturalidade, e as “mariposas” de todos os tipos e tendências, pululavam nas mais conhecidas ruas, João Pessoa, Amador Bueno, General Câmara, Xavier da Silveira, Senador Feijó, que acolhiam mulheres vinda de todas as partes do Brasil, e de países, como a das Filipinas.
Da cidade de Cubatão, residente na Vila Nova, tinha Lindaura, casada, que dizia ao marido, que trabalhava em casa de de família, e vendia o xibiu das 18 horas até perto da meia noite, quando retornava para os filhos e o tolo do marido.
Havia, as chamadas “polacas”, que mesmo não sendo polonesas, falavam línguas de3sconhecidas para a maioria dos frequentadores da Boca do Lixo.
A vida noturna na parte antiga da cidade, era alegre e cheia de intenso erotismo.
O Love Store, Casa Branca, La Barca, Night And Day, American Bar, ZanZiBar, Monte Carlos, ABC House e tantas outras casas noturnas, atraiam boêmios de todos os lugares, com suas mulheres lindas e elegantes, disponíveis a qualquer de programa.
A “Boca do Lixo” propriamente dito, era na Beira do Cais, onde as Doidivanas, recebiam marinheiros de todas as partes do mundo, e os “pobretões” que se divertiam, enchiam a cara de bebidas alcoólicas, brigavam e até morriam.
Nas boates “chics”, cantoras de renomes, como Ângela Maria, Cauby Peixoto, e outros que estavam se destacando nos cenários, animavam as noites, cantando suas canções românticas e apaixonantes. Strip Tease e Sexo ao Vivo não faltavam nas casas de shows.
O 275 era uma casa muito frequentada, geralmente por homens de poucas poses, que só queriam “afogar o ganso” numa mulher qualquer, que fosse bonita e barata.
A decadência da Vida Boemia de Santos se iniciou, praticamente, a partir da Década de 70, com o advento da Epidemia da Aids, com a automatização do Porto, que reduziu os trabalhadores portuários, o “Glamour” das noitadas boemias, aos poucos foram mixando.
O medo da famigerada doença, causou a extinção desse tempo de sonhos e ilusões, que se foram perdidos na poeira do Tempo. Hoje, atualmente, somente meretrizes teimosas, ainda vendem seus serviços sexuais, num trecho da Avenida Senador Feijó, e em poucas ruas do Centro Velho da Boemia Santos.
Todavia, na época de “ouro” dessa linda e histórica cidade, em plena Praça dos Andradas, que dava para as ruas, João Pessoa, General Câmara, fazia “ponto”, ali, uma bonita mulher, deficiente, que angariava seus fregueses, sentada numa cadeira de rodas.
Chamava-se Joanita. Era morena, linda, dos cabelos compridos e sedosos, do corpo bem-feito, apesar de ter adquirido uma paralisia da cintura para baixo, quando ainda era mocinha.
“Muitas vezes, relatou Roberto, empurrei a cadeira de rodas, da praça, até a entrada da casa de tolerância, onde ela fazia programas”.
“Empurrando a cadeira e atravessando a avenida, o que mais me ”acabrunhava” era a vergonha, das pessoas verem, que estava levando uma paralítica para fazer sexo”
Mas, apesar de não ser “complexado” sabia que nem todo mundo que circulava pela praça, procurando o centro comercial da cidade, tinha conhecimento que aquela bonita cadeirante uma prostituta. Além disso, eu era de longe, sem nenhum parente pra vê o que estava fazendo.
A primeira vez, que a abordei, ela pediu que empurrasse a cadeira até a casa onde recebia os fregueses. Nem o seu “nome de guerra” perguntei. Deixei a cadeira num canto da escadaria, tirei-a do assento e subi com ela nos braços, que não era muito pesada.
Coloquei-a sobre a cama. Ela olhou-me, com uns olhos castanhos e brilhantes, graúdos e vivos, dando-me a impressão que desejava “conversar” primeiro, antes de “transar”
lembrando-me que a maioria das putas da Faixa do Cais, só davam de 20 a 30 minutos para os clientes, indaguei:
─ Está com pressa, moça?
Ela esboçou um meio sorriso e numa voz suave e clara, retrucou:
─ Não! Não, Tenho nenhuma pressa! Pode tirar sua roupa, que vou tentar tirar a minha!
Percebendo que não estava preocupada com o tempo, por curiosidade, indaguei:
─ Posso saber seu nome? O meu é Roberto.
Ela tornou esboçar um sorriso de dentes retos e brancos, e respondeu:
─ Olha, Roberto. Não costumo dizer meu nome para estranhos, principalmente nesta “profissão” de “Dama da Noite”. Mas, já que disse o seu, vou ser reciproca; o nome de “Guerra” é Eva, o de nascimento, Joanita!
Enquanto falava, tirava a blusa. Estava sem sutiã e os peitos apareceram grandes, pontudos e rígidos. Só ficou com a saia de chita e as sandálias de tiras de couros, que calculei que seriam difíceis dela tirar. E, pelo que vi, o corpo parecia ser bem-feito, apesar da paralesia.
Nesse ínterim, abaixei as calças, a cueca e tirei os sapatos, e perto da cama, esperando que se desfizesse da parte inferior da roupa, mas Eva ou Joanita, permaneceu sentada e após alguns minutos, olhando-me de cima abaixo, pediu:
─ Ajud3e-me a tirar a saia e os calçados, por favor!
Ansioso para vê-la toda despida, levantei-lhe os pés e colocando-os sobre o colchão, primeiro, tirei-lhe as sandálias, depois puxei a saia pelas pernas e deixando-a nua, por instantes, contemplei sua nudez.
A cadeirante era bonita de anatomia, de ancas largas, aredondadas, de pernas compridas e roliças, e no meio delas, um amontoado de pelos, tão escuros quanto carvão. Era de estatura pequena, o que facilitava, e muito, o transporte dela para o quarto.
Completamente despida, era linda e parecia uma bonequinha, mas não podia se mexer da cintura para baixo. Vendo-a ali, indefesa, a minha mercê, apesar do tesão e da vontade de meter, no fundo senti dó e pena dela. Joanita, como passei a denominá-la, olhou-me e tornou a pedir, chamando-me pelo nome:
─ Roberto, aí nesta gaveta do criado-mudo, tem Camisinhas de Vênus. Pegue uma, que a colocarei no seu pinto!
Fiz o que me pediu, e tirei da gaveta um Condons, e entreguei-o a ela, que abriu o involucro, e tirando a camisinha, envolveu minha pica, pedindo, outra vez:
─ Agora, dobre-me as pernas e separe-me as coxas!
Mais, uma vez, atendi-a, dobrando-lhe os joelhos e abrindo as bonitas coxas, deparando com uma colina inchada e ampla, coberta por um matagal de cabelos lisos e escuros.
Como bom observador que sempre fui, olhei aquela buceta peluda, que mesmo assim, dava para entrever os lábios vulvares, grossos, compridos, encimados por um grelo saliente, como asas de borboleta.
Acabando de vestir o preservativo, ela disse:
─ Pronto! Pode me fuder, Roberto!
Como minha vontade estava a mil, entrei entre seus pés, acertei a cabeça da rola na sua buceta, e deitando-me sobre ela a fudi com calma, mas com determinação, esquecendo por momentos, que ela era uma deficiente.
Meti a rola até o pé, e apesar de não apreciar muito o uso do condom, não demorei muito nos vais e vens, e derramei toda a porra acumulada há dias. Só, aceitei usar a “camisinha”, porque era uma perversão a doenças venéreas, tanto para mim, quanto para ela, sendo um preservativo a uma gravidez indesejada.
Quando acabei, ela limpou-me com uma toalhinha, jogando a camisinha num cesto de lixo num canto. Limpou-me o pinto, vesti-me e coloquei-lhe as roupas. Aí, peguei-a no colo e a carreguei escada abaixo, colocando-a na cadeira de rodas.
Do mesmo modo que a trouxe, empurrei o pequeno veículo para o centro da Praça dos Andradas, onde, segundo ela, ficaria até as 22 horas.
Fui para casa e passei a noite pensando naquela mulher da cadeira de rodas, e de uma certa forma, fiquei mexido sentimentalmente pela condição dela, me perguntando, como uma criatura naquele estado, podia sobreviver, fazendo programas, em pleno dia e numa praça tão movimentada e conhecida como aquela de Santos?
O tempo passou, e toda vez que queria me “aliviar” procurava Eva Joanita, e levava-a para aquela conhecida casa no comecinho da João Pessoa. E, acabamos nos tornando íntimos, ao ponto dela fazer-me confissões pessoais sobre a sua vida passada.
Fiquei sabendo, que ela nasceu perfeita, e aos 12 anos, vindo com a irmã para São Paulo, adquiriu uma infecção desconhecida na nuca, que aos poucos, deixou-a paralítica da cintura para baixo. Sua irma, Janete, quatro anos mais velha, sem recursos, não teve condições de interná-la em bons hospitais.
Elas moravam num barraco , na recém-iniciada Vicente de Carvalho, que era na época,era só lama e barro, e numa pobreza de dar pena. Um tenente da Base Aérea, se interessou por elas e praticamente, comprou-lhes as virgindades.
Percebendo, que vendendo sexo, elas conseguiriam sair do atoleiro daquela atrasada cidade, Janete pediu alto pela perda do “cabaço” dela e da irmã, ainda mocinha.
A transação foi feita em dólares e com o valor em mãos, elas se mudaram para Santos, adquirindo uma parte da casa, onde recebiam homens em busca de sexo.
Eva Joanita, mesmo deficiente, fazia ponto na praça, em frente ao antigo Teatro Guarany. Bastava atravessar a rua, seguir pela João Pessoa, subir a escadaria da casa onde ficava o quarto usado para receber os clientes.
Roberto, aos poucos, se tornou fregues e amigo da cadeirante, que não se acanhava em contar coisas de sua atuação na prostituição. Disse:
─ Vou tratá-lo por Robe. Fica mais fácil pronunciar, está certo?
Concordei, e ela iniciou:
“Que posso contar sobre a minha vida de prostituta, puta, meretriz, dama da noite ou qualquer outro nome que queiram denominar, só posso dizer, que não foi e nem é mole de se aceitar, principalmente, para uma mulher, jovem, ainda virgem, sem instrução nenhuma, vinda do Nordeste, em princípio de 1970.”
Nessa época, Beto, a prostituição era liberadíssima na cidade, e quem quisesse podia abrir um “Inferninho” chic, ou para pobres trabalhadores do porto, marinheiros e homens casados ou não, que buscavam o que a esposa, a noiva e as “amigas”, não faziam em casa.”
“Chupar um pinto, dá a bunda, Robe, até hoje, as mulheres chamadas de virtuosas, puras e honestas Donas de Casas, não fazem, adestradas pelas mães e avós, que chamam esses atos de “pecados”, castigado por forças invisíveis e espirituais”.
“Portanto, caro amigo, essas coisas “nojentas”, como chamam as “virtuosas” esposas, sobraram para nós, desavergonhadas mulheres das ruas”.
E dá o “fiofó”, engolir um caralho, mesmo sendo mulher de vida fácil, não é tão aceitável como parece; algumas de nossas amigas, se recusam, e outras, cobram os olhos da cara para fazerem”.
“Engraçado, Roberto, é que há tempos, que me come, e nunca pediu pra meter no meu rabo, e nem chupar seu pinto, né?”
Olhando para ela, ele lhe disse:
─ E não vou pedi, Joanita! Já comi bunda de mulher, já fui chupado por algumas, e até na boca de viado, gozei e meti na sua bunda, mas, não vi clima entre nós, para pedir essas coisas.”
Joanita deu um angelical sorriso, dizendo:
─ É! Talvez, chegue essa ocasião, mas vamos deixar pra lá, que quero continuar a minha história, e é justamente, sobre isso, que quero continuar meu relato.
“É sobre “chupar” e dá o “fiofó”, que quero contar como foi meu 1.o anal e minha 1.a chupada”
Foi justamente com o militar, que comprou o “cabaço” meu e de Janete, que aconteceu.
“O tenente Brito era casado e prestava serviço na Base Aérea de Vicente de Carvalho – Guarujá, e num dia de folga, a tardinha, veio procurar eu e Janete. E como não queria ser visto empurrando minha cadeira, pois mora no Macuco, pediu para minha irmã, me buscar na Praça.”
“É um homem alto, educado e bonito, assim como você, Roberto. Só, que não gosto nem um pouquinho dele e vendi-lhe o “cabaço” por pura necessidade.”
“Nessa tarde, neste mesmo quarto, ele foi claro explícito: queria que o chupasse, e fizesse um anal. Pensei em recusar. Ainda, não tinha feito essas coisas, mas, quando faou que pagava qualquer preço para que satisfizesse seu desejo, resolvi aceitar. E cobrei caro, e só faria, se desse o dinheiro adiantado.”
“Ele enfiou a mão no bolso, sacou a carteira e tirando notas de dólares, entregou-me várias notas. Chamei Janete, entreguei-as e pedi que tirasse a roupa.”
“Ele fez isso, e ficando de pé ao lado dessa , pôs o pau pra fora. Chupei uma pica pela primeira vez, e como seria natural, senti repugnância. O pau dele não é muito grande, dece ter de yns 16 pra 17 centímetros. O seu é que é bem maior. Só sei que o chupei o suficiente para que ele, segurasse minha cabeça, e dissesse :” Está bom. Chega. Agora, a bundinha!”
Parei um instante, e disse:
Tem que me colocar de “gatinhas”. E seja, cuidadoso. Nunca fiz isso, não!
Ele realmente foi cavalheiro.
Virou-me, apoiou meus joelhos no colchão, afastou-os, fixando-os contra o lençol, e ainda perguntou:
─ Está bom, assim?
Flexionei os cotovelos, com firmeza e respondi:
─ Está!
Minha bunda ficou exposta, nua, já que nessa “profissão” o uso de calçola, atrapalha um bocado.
Mas, pedi-lhe:
─ Passe cuspe, viu! E, lambuze sua piroca, também! Não quero que me machuque.
Nisso, ele foi perfeito. Untou-me a bunda com saliva, fez o mesmo no caralho.
Nem tentei olhar para trás. Só senti, ele encostar a cabeça da rola no meu virgem cu, e decidido, mas com extremo cuidado, começar a me penetrar o fiofó.
Não dá pra descrever o que senti. Talvez, arrepios e sensações incomodas de estar perdendos as pregas. Sei lá, só sei que foi um bocado dolorido e gemi, grunhi, do mesmo modo de quando perdi o “cabaço”, justamente com ele.
Balbuciando frases desconexas, senti que aos poucos, ele enfiou todo o cassete e tendo-o alojado todo, não demorou muito. De uns 15 a 25 minutos, gozou, saciando sua tara.
Puxou pica, limpou-se na toalhinha, vestiu-se e antes de deixar este quarto, deu-me alguns cruzeiros, dizendo:
─ Outro dia, volto, garota! Será, a vez da sua irma, viu!
Concordei e quando ele fechou a porta, peguei a toalhinha para me limpar, e vi que tinha nódoas de fezes e manchas de sangue.
O cu ardia pra caralho e assim, Robe, fiz o primeiro anal e a primeira chupada.
No decorrer de todos esses anos, vendendo sexo, aí na Praça, em cima da minha cadeira de rodas, apareceu-me todo tipo de fregues; brancos, pretos, velhos, novos, e estrangeiros, como filipinos, e um nagô, negro tinto, com uma pica que assustava até égua.
E como boa samaritana, atendi-o em todos os sentidos, fazendo o chamado “Barba, Cabelo e Bigode” e por pouco, não fico com o cu em fragalhos, pois o negrão era exagerado.
Aparecem alguns, só para ser chupado, outros para que lhe bata uma punheta, e até, imagine, enfiar-lhe dedos no cu, enquanto me fode.
Até rapazinhos de pouco mais de 15 anos, já estiveram aqui, trazidos pelos próprios pais, para conhecer a buceta de uma mulher.
Sempre atendi-os da melhor maneira possível, ganhando um bom dinheiro. Tenho muitas histórias pra contar, Roberto. Outro dia, conto as que ouvir de muitos desses fregues, e de uma certa forma, acho que sou uma psicóloga e psiquiatra.
Roberto deu uma gargalhada, dizendo:
─Parece, que é Joanita! Mas, fico feliz em você me contar todas essas coisas da sua vida. E, é bom que conheça seu passado, pois tenho uma proposta a lhe fazer!
Joanita, fez uma cara engraçada e indagou:
─ Proposta? E, qual seria, posso saber?
E como ele estava com uma ideia na cabeça há tempos, acabou falando:
─ Queria que me acompanhasse numa viagem a Goias, para conhecer meus parentes! É, agora em dezembro que vou visitá-los! Quer ir?
A cadeirante soltou uma estridente risada, exclamando:
─ Não acredito, cara! Nestes, quase vinte anos, vendendo meus serviços de puta, nenhum fregues, me fez uma proposta parecida. Você, quer que deixe meu ganha pão, para acompanhá-lo numa viagem tão longe, é? E, como fica a mana? E, como fica o aluguel desta casa? Ela não consegue pagar, sozinha, com o “trabalho” que faz. Não posso deixá-la, não!
Roberto, olhando-a nos fundos dos olhos, disse taxativo:
─ Joanita. Desde que a conheci aí na Praça, que gostei de você. E estou disposto a tirá-la dessa vida, e para que sua irmã, não fique se o “ganha pão”, estou decidido a comprar toda essa casa e doar a ela.
Mais uma vez, a cadeirante riu e voltou a dizer:
─ Cara! Acho, que você está delirando! Se tiver mesmo capital para fazer o que está dizendo, como pode querer apostar numa cadeirante, que mal conhece, e que vive até este momento do meretricio? Se, eu aceitar, não acha que é um absurdo. Como seus familiares, vão me receber? Uma cadeirante! Uma puta de rua. Acho, que está doido. Pense bem!
Roberto, abraçou-a com carinho, beijou-a e disse:
─ Não pense nisso, querida! Você irá conhecê-los, e verá que são pessoas simples, de sentimentos e corações!
A cadeirante voltou a olhá-lo, com um misto de dúvida e curiosidade, estampadas no seu rosto e nos olhos castanho, e pensou; “Este moço está “pirado”. Levar uma mulher de programa. Ainda, aleijada para conhecer parentes. Só pode ser maluco, ou está brincando comigo?”
Roberto permaneceu por alguns minutos em silêncio, e após esse intervalo, voltou a indagar:
─ E a´, Joanita? Que diz?
Ela encarou-o séria e falou:
Amigo! Sinceramente, nunca me fizeram tamanha proposta. Estou pasma! Dá até medo! Não, nos conhecemos o suficiente, mas, deixe-me pensar, conversar com inha irmã, primeiro! Depois, amanhã, lhe dou uma resposta satisfatória. Okey?
Roberto balançou a cabeça assentindo, mas, pediu com humildade:
─ Não vá mais pra Praça! Se atender este meu pedido, banco seus dias todos. Promete?
Joanita assentiu, do mesmo modo e antes de sair o rapaz de vinte e oito anos, beijou-a na boca e pela primeira vez na vida, ela gostou. Foi seu primeiro beijo, que parecia sincero e cheio de amor.
Ela cumpriu a palavra e não voltou para a Praça dos Andradas, e durante a noite, discutiu a proposta dele, com a irmã Janete, que com um ar de perplexidade, disse:
─ Mana, não sei o que pensar, nem o que dizer! É uma proposta inacreditável! Tentadora e temerosa ao mesmo tempo. E, só posso dizer, e indagar é; “Será que Deus, lá nas alturas, está intercedendo nos nossos Destinos? Olha, que desde que deixamos nossa família no Nordeste, que só passamos ”sufocos” inacreditáveis. Tivemos que vender nossa honra pra poder sobreviver. E agora, aparece esse homem, que, parece que se apaixonou por você, uma cadeirante prostituída. É inverossímil, Joanita! Está na sua vontade, de aceitar ou não!
Joanita, séria, refletindo, decretou:
─ Estou tentada a aceitar, mana! Mas, primeiro, vamos vê se Roberto cumpre o que prometeu para você. Se cumprir, aceito viaja com ele pra essa tal Goias.
E assim, Joanita, a cadeirante sumiu e nunca mais foi vista na Praça dos Andradas, sentadinha na sua Cadeira de Rodas.
NOTA:
“Este conto é virídico. A cadeirante, realmente existiu, na principal praça da cidade de Santos, entre as décadas de 70 e 80. quando a boemia brilhava em todo o seu esplendor, por suas antigas e lendárias ruas
FIM